terça-feira, 20 de junho de 2023

A IRREVERÊNCIA DO FORRÓ

O Forró é um estilo musical marcado por características muito específicas que fotografam a essência da cultura nordestina. Desde a diversidade de ritmos que são compassados pela harmonia musical da sanfona, zabumba e do triângulo, até as letras que denunciam a seca e as mazelas que o povo nordestino sofre pelo descaso político dos dirigentes do nosso país, até refletir diante do sertão a saga de um povo sofrido, mas, guerreiro, que nunca desiste e se faz um povo feliz. 

Esta felicidade, a propósito, retrata com lirismo o romantismo em canções que são verdadeiras pérolas do amor romântico.

Inquestionavelmente, o maior ícone do estilo foi, sem dúvida alguma, o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, o velho Lua, que em parceria com Humberto Teixeira compôs algumas das mais belas páginas do cancioneiro popular nordestino, passeando por todas as temáticas que deram ao forró um colorido próprio das festas juninas.

A riqueza e diversidade do cancioneiro popular fez com que o forró projetasse diante da beleza das canções centenas de artistas e imortalizasse ao longo das décadas nomes como o de Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Dominguinhos, Elba Ramalho, Alceu Valença, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner, Flávio José, Nando Cordel, Virgílio, entre muitos outros.

Por outro lado, também integra o DNA do forró a irreverência e descontração do nosso povo, que com cânticos engraçados, de rimas inusitadas e estórias pitorescas faziam a alegria de todos. Neste rol de canções eclodiram na década de 80 as músicas de duplo sentido, que fizeram o sucesso de nomes como Genival LacerdaSandro BeckerClemildaZé Duarte e tantos outros.


Deste estilo, músicas como "Talco no salão" (Forró cheiroso), "Não fure Quinho, não" (Briga no casamento), "Tico mia" (O gato, Tico), "Julieta""Prenda o Tadeu""Coitadinha da Tonheta", etc., fizeram a descontração e alegria do nosso povo.

Em outra fase, já na década de 90, foi a vez do Mastruz com Leite dar um novo toque à irreverência e descontração do forró com canções como "Amor a três""Só se casar" e "Cabeça de bobs x barriga crescida""Pneu furado" e "Moto Taxi" entre tantos outro sucessos.

Nos anos 2000 foi a vez de bandas como Arriba a Saia emplacar com o sucesso de "Libere o Toim que eu te dou dez conto" e o Forrozão do Cacá tomar o cenário musical com "Vá pra casa sua cachorra""Capou de Fusca" e "Furando o couro".


De fato a música de duplo sentido reflete a irreverência e alegria do nordestino e, porque não dizer, do povo brasileiro, de modo que tal estilo transcendeu ao forró e alcançou o pagode, o axé e outros tantos estilos.

Quem não se lembra de Raul Seixas cantando o "Rock das Aranhas" e dizendo "vem cá, mulher, deixe de manha, a minha cobra quer comer sua aranha"; ou o Raça Pura contando que "o pinto do meu pai fugiu com a galinha da vizinha", ou o Gabriel, o Pensador, contar o "2,3,4,5,6,7,8, tá na hora de molhar o biscoito". Como não lembrar do É o Tchan emplacando diversos sucessos dentre os quais eles cantavam que "ela faz a cobra subir, a cobra subir, a cobra subir", ou até o "Melô do Picolé" da banda Feras Potentes que anunciava "vem chupar que tá durinho, vem chupar que é bom, vem, que tá geladinho".

Estes são apenas algumas das centenas de canções que nos fazem sorrir de forma sutil com expressões que, via de regra, seriam um tabu ainda a se cultuar. Este é o cenário das canções de duplo sentido.

Pois bem, então quem sabe se não está na hora de resgatar a criatividade das canções de duplo sentido? Ah... mas hoje em dia ninguém toca essas músicas. Claro! Compor músicas de duplo sentido não é uma tarefa fácil, ao contrário, é difícil brincar e descontrair sem ser vulgar e ofensivo com a malícia das expressões de duplo sentido.

Pois bem, esse foi o desafio: resgatar a sátira, a malícia e a irreverência das músicas de duplo sentido dos forrós das antigas, numa perspectiva musical atual dando um passeio do forró tradicional ao moderno.

Inicialmente lançamos no CD "Clever Jatobá - O Chamego do Forró!" (2019) duas faixas: "O curioso" e "O Pãozinho", mas era muito pouco, daí arregaçamos as mangas para compor outras faixas.

O resultado do trabalho pode ser apreciado no CD "O Forrozinho do Jatobá" que traz sucessos como "O Cozinheiro", "Umbu azedo" (Part. Especial Forrozão do Cacá), "Vem e me ataca", "Poupança" e "Álcool na mão", além de outras músicas que ajudam a compor o repertório deste disco.

O Cd promove o resgate à malícia do forró de duplo sentido preservando a irreverência do estilo sem ser vulgar ou ofensivo, garantindo, assim, o entretenimento e a descontração de quem gosta de dar boas risadas. Assim, convido a todos a escutar as nossas canções e se divertir com o FORROZINHO DO JATOBÁ.

Abraço a todos,

Clever Jatobá

 

CD Forrózinho do Jatobá - 2021

Queridos Amigos,


Ao lançar o disco "Clever Jatobá - O Chamego do Forró!" percebi que as músicas "O Pãozinho" e "O Curioso" tiveram uma aceitação especial do público.

Eram as duas músicas mais irreverentes do disco, no estilo "forró malícia", a primeira alertando que "se não aguenta vara, peça cacetinho" e a segunda alertando que "só vou botar a cabecinha".

Diante do sucesso que essas músicas fizeram tomei coragem de gravar outras composições minhas de duplo sentido e, empolgado com a ideia, concebi o projeto do "Forrozinho do Jatobá" lançado em 30.04.2021.

No disco do Forrozinho do Jatobá colocamos o estilo forró malícia em evidência através de 5 (cinco) das minhas composições, são elas as músicas: "Vem e me ataca", "Álcool na mão", "Umbu Azedo", "O cozinheiro" e "Poupança".

Nesse viés do duplo sentido merecem especial destaque o xote "Álcool na mão", que promove uma reflexão bem contemporânea acerca d pandemia do covid-19 e "Umbu Azedo", que contou com a participação especial do Forrozão do Cacá.

Outrossim, o disco trouxe cinco regravações: 

Além dos clássicos "A natureza das coisas" de Accioly Neto e "Que saudade do teu cheiro", sucesso do Cacau com Leite, da lavra do Ari PB, o CD contou também com o arrastapé "Amor Antigo", parceria de Augusto Jatobá com Tonton Flores, além do pout-pourri de xote composto por "Trilhas e Recados" (de Armando Castro) e pela nova versão de "É ter você" (de Clever Jatobá).

Ainda consta no repertório a inusitada "Bom como um corno", de Augusto Jatobá, além das inéditas "Uma selfie", "Bachata da Saudade (Pura saudade)" e "Quero Encontrar", ambas composições de Clever Jatobá.

O disco apresenta de forma divertida e irreverente a mais plena diversidade do universo do forró, passeando pelos vários ritmos que embalam os festejos nordestinos.

Convido a todos a escutar o disco do Forrozinho do Jatobá que está disponível nas principais plataformas digitais de música, tais como DeezerSpotifyApple MusicGoogle Play e SoundCloudYouTube Music, entre outras.

Um abraço,

Clever Jatobá.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

O CURIOSO - De: Clever Jatobá

Olá meus amigos,

Vocês conhecem o forrozinho "O curioso"?

Trata-se de um forró malícia - gênero difundido por ícones como Sandro Becker, Genival Lacerda, Clemilda - no rítmo dos sucessos do Mastruz Com Leite, que nos fisga como chiclete.

Conta o Clever Jatobá que, certo dia, recepcionando uns amigos em casa, foi surpreendido com uma vizinha que da janela da sua casa, de forma grosseira e até deslegantemente mal-educada, esbravejava com palavras de baixo calão contra a música e algazarra da sua recepção festiva.

Apesar de ser uma confraternização vespertina e no final de semana, ao invés de rebatê-la cheio de razão e com a mesma deselegância, de forma educada, decidiu sutilmente responder a vizinha com um singelo pedido de desculpas e fechar a varanda para evitar incomodá-la.

Daí aproximando o rosto da sacada da varanda para se desculpar, foi repreendido por sua, então companheira da época, que retruncava:

- Ele dá ousadia! É por isso que a vizinha falou nesses termos! Eu já vi Ele de frete com essa vizinha... Eu fico só de olho. Está quase se pendurando na varanda da vizinha!

Na ingênua inocência, o Clever Jatobá lhe respondeu:

- Oxente, minha filha, que é isso?! Eu só ia botar a cabecinha na varanda da vizinha para pedir desculpas.

Daí veio o insigth: "só vou botar a cabecinha"... onde ?! "na brecha da varanda, na sacada da vizinha".

Foi aí que surgiu o hit, O Curioso.

Após compor esse forrozinho, ligou para Déa Lessa e a convidou para cantar com ele esse forró.

Em seguida, fez o arranjo de base e correu para o estúdio para gravá-la com o sanfoneiro Eugênio Cerqueira.

Foi assim que esse "forró malícia" surgiu. Vale à pena conferir!

CD Clever Jatobá 2019

Prezados Amigos,

Encerrei minha carreira profissional na música em 2005. Lá se passaram mais de dez anos... Troquei a música por uma outra paixão: o Direito. 

Troquei os palcos pela sala de aula, os shows pelas palestras, os versos pelas petições, e os Cds pelos Livros ao encarar a advocacia e a docência no mundo jurídico.

Após o último show que fiz com a minha antiga banda, em Cachoeira-Ba (2004), uma amiga me indagou: "você tem certeza que vai abandonar a música?" na verdade, na época eu não tinha certeza de nada. Minhas convicções eram apenas no sentido de que eu precisava oxigenar minhas ideias por novos ares.

Confesso que fique apreensivo por começar do zero e temeroso de sentir falta do aplauso do público, que, a propósito, alimenta qualquer artista.

Pois bem, concluí o curso de Direito em 2007 com uma fome insaciável de saber. Estudei tanto que no mesmo semestre em que me formei, comecei a Advogar e em menos de um mês de formado estava Eu em sala de aula lecionando e compartilhando com meus alunos o conteúdo que adquiri na graduação e em minhas vastas horas de estudos.

Pedia a Deus que não me deixasse esmorecer pela falta dos palcos. Foi quando parei em sala de aula. O  curioso é que após a minha primeira aula, os alunos aplaudiram de pé. Pensei comigo, obrigado Senhor Deus por me legar os aplausos do público, mesmo diante de novos palcos.

No momento inicial, abandonei a música por completo. Parei de tocar, de cantar e até de escutar música, pois sequer ia a shows ou espetáculos musicais. Afastei-me dos amigos e do ambiente musical por completo. Encarei a Advocacia e a docência como um novo projeto pessoal de vida, seguindo para frente sem olhar pra trás.

Hoje, já sedimentado na Advocacia e reconhecido na docência, me destaquei como palestrante e dediquei minha criação intelectual para as letras jurídicas, integrando o rol de autores de algumas obras jurídicas. 

Após este tempo todo, fiz uma descoberta: afastei-me da música, mas ela nunca se afastou de mim. Digo isso, pois depois de alguns anos sem tocar, ou sequer ouvir música, resgatei meus violões que há muito estavam guardados, tirei-lhes a poeira, troquei as cordas e voltei a tocar, a cantar e o principal, aos poucos, voltei a compor. Quando dei por mim, percebi que compus muitas canções nos últimos anos.

Mas, de que vale uma boa música se ela não for ouvida e cantada? Pra que servem as canções, senão para acarinhar a alma e acalentar os corações, gerar polêmicas e reflexões, ou fazer dançar e entreter o nosso povo sofrido. 

Reza a lenda que certa vez Pablo Neruda perguntou a Vinícius de Moraes porque ele não escrevia livros com seus poemas e estórias. Vinícius então teria lhe respondido que o nosso povo é muito frenético e descuidado com a leitura, por isso ele fazia dos seus versos as canções que poderiam chegar a um número maior de corações.

Pois é... percebi que tenho tantas canções que precisaria grava-las para oportunizar as pessoas a conhece-las e cantá-las. Quem sabe, assim, poderia - como Vinícius de Moraes - dar asas às canções e chegar a um número maior de corações.

Pois bem, decidi gravar minhas composições e, após quase cinco anos de gravações, eis que o disco ficou pronto. Assim, venho compartilhar com vocês a felicidade de trazer ao público o novo CD: Clever Jatobá - O Chamego do Forró!

O novo disco tem 12 faixas que passeiam desde o "oxent music", com canções como "Meu grande amor" (de: Clever Jatobá e Armando Alexandre) e "Nas asas do sabiá" (de: Clever Jatobá), aos xotes "Nas Margens do São Francisco" e "Baratinha Mitológica" (de: Clever Jatobá), tendo as releituras de "Matança", "Pés de Milho" e "Buraco Fundo" (de: Augusto Jatobá), "Sonhos" (de: Dalmar Caribé) e da canção "Príncipe Kal-El" (Papaizinho), que fiz para meu filho, Kal-El, e "Siricotico", que compus com meu filho Rodrigo Zidane.

O repertório tem 2 canções de duplo sentido "O Pãozinho" e "O Curioso" (de: Clever Jatobá), além da regravação de "Bailão Country" (de: Clever Jatobá), sendo que, desta vez, em ritmo de arrasta-pé. 

O disco está disponível nas principais plataformas de streaming, tais como Deezer, Spotify, Apple Music, Google Play, Sound Cloud e YouTube Music, entre outras.

Para quem prefere a mídia física, o disco está disponível em CD, comercializado pelo preço módico de R$10,00. 

Espero que vocês gostem.

Um abraço a todos,

Clever Jatobá.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

CLEVER JATOBÁ - LANÇAMENTO 2019

Prezados Amigos,
 
Estamos lançando o BLOG Forrozinho do Jatobá e, para que este passo seja dado de pé direito, o lançamento do Blog do cantor, compositor e Forrozeiro "Clever Jatobá" vem acompanhado do perfil nas redes sociais Facebook e Instagram, e tem como destaque  do lançamento do seu novo CD.
 
Isso mesmo, galera, junto com o Blog Forrozinho do Jatobá, chega até o público o novo CD "Clever Jatobá - O Chamego do Forró!"
 
O disco é um resgate do projeto musical do artista no universo do Forró, qual passeia por diversas facetas do estilo, tendo xotes, arrasta-pé, baião, carimbo e oxente music.
 
O Disco está disponível nas principais plataformas digitais de música, tais como Deezer, Spotify, Apple Music, Google Play e SoundCloud, YouTube Music, entre outras.
 
Pra quem preferir o CD, também está disponível em versão física pelo valor de R$10,00.
 
O disco, em sua essência, é autoral, valorizando as composições do Clever Jatobá, mas traz 3 canções de Augusto Jatobá, dentre as quais 2 regravações do repertório de Xangai (Matança e Pés de Milho), além da belíssima canção Sonhos, composição de Dalmar Caribé, que tem a participação especial de sua mãe, Verbena Jatobá.
 
Dentre as canções autorias, tem as já experimentadas na época dos palcos, "Nas margens do São Francisco", "Siricotico" e a nova versão de "Bailão country", além do sucesso "O pãozinho" (Se não aguenta vara, peça cacetinho), carimbo que tinha sido lançada em 2003 em Cd demo ao vivo.
 
Dentre as novidades, merece destaque o belíssimo xote, "Baratinha Mitológica", além das canções "Amor, meu grande amor" (parceria com o amigo Armando Alexandre) e "Nas asas do sabiá".
 
Vale a pena conferir também  a "Música da Vizinha", forrozinho de duplo sentido intitulada "O Curioso", que conta com a participação especial da cantora Dheya Lessa, além da canção "Príncipe Kal-El", composição feita para seu filho, o pequeno Kal-El, que registra sua singela e meiga participação.
 
Enfim, trata-se de um passeio imperdível pela diversidade cultural e rítmica da musicalidade nordestina.
 
Esperamos que curtam.
 
Um abraço com o chamego do forró,
 
Forrozinho do Jatobá
 

A IRREVERÊNCIA DO FORRÓ

O Forró é um estilo musical marcado por características muito específicas que fotografam a essência da cultura nordestina. Desde a diversida...